Embora eu esteja um pouco atrasada para falar sobre esse dia, devo colocar para fora aquilo que sinto e penso...
Ontem, visitei dois lugares: um restaurante e um laboratório e em ambos fui recepcionada com lembrancinhas em homenagem ao dia. Para mim, isso teve um grande significado, porque, se Deus não tivesse me abençoado com a gravidez da Ellen, esse dia, certamente, seria marcado, apenas, com tristeza, saudade e muita saudade...
Outras pessoas fizeram questão de me parabenizar, outras silenciaram e houve quem dissesse: "não devo te dar parabéns porque você não é mãe ainda, mas, logo, será..."
Não sou mãe??? Essa foi a pior frase que pude ouvir de alguém num dia tão especial como esse...
Se não sou mãe, o que sou então???
Durante 9 meses, gerei uma vida, uma filha abençoada que hoje está com Deus, porque assim ele quis, assim tinha que ser e ponto. Durante esse período, sonhei com tudo, com o rosto dela, tentava imaginar como seria a sua personalidade, a minha convivência com ela, o que faria de bom para o futuro dela e, assim, muitas vezes, deixei de olhar para mim, para o meu eu, para me focar única e exclusivamente nela.
Ainda hoje, continuo sonhando... em um dia poder olhar para ela e dizer o quanto eu a amo e o quanto eu queria que tudo tivesse sido diferente.
Agora, tenho aqui comigo a Ellen, que ontem me presenteou com muitos chutes...este foi o melhor presente que eu recebi.
E como assim não sou mãe?
Até mesmo antes de engravidar uma mãe de verdade, já muda hábitos, a forma de pensar e de até de agir. Durante a gravidez, essa preocupação se intensifica, porque sabemos que de uma semana para outra, de um dia para o outro, de um segundo para o outro, tudo pode mudar...
E o parto? O que representa?
Para mim, é um marco em nossas vidas...estando com vida ou não a criança, afinal, naquele momento nasce ou é tirado um pedacinho da gente...pedacinho este que vale tanto quanto um órgão, um membro, uma vida!!
Se hoje, não tenho um bebê de 8 meses no colo, olhando para mim com aquele sorriso, com aquele olhar puro e inocente, é porque Deus assim não permitiu...mas, se eu pudesse escolher, ahhhh...ontem teria sido um dia ainda mais especial. Eu poderia ter ficado apenas em casa, brincando no tapete da sala com ela ou dormindo abraçada com ela, que já seria o suficiente para mim...não sentiria falta de mais nada.
Só Deus sabe o quanto eu sonhei com isso.
Na gravidez da Amanda, me preocupei muito com a decoração do quarto, em comprar enxoval, na escolha do hospital, enfim, com coisas materiais...mas, infelizmente, todos esses momentos foram preparativos de uma festa que não aconteceu.
Hoje, vivo a gravidez da Ellen valorizando apenas cada movimento dela, cada ultrassom, cada consulta. Não sei se estou errando, mas não consigo sonhar com coisas materiais, mas apenas com o momento em que eu poderei ouvir o choro dela, em ver o momento em que ela será mostrada para mim com vida, no momento em que eu receberei ela em meus braços para amamentá-la e, depois, poder chegar em casa e viver cada momento da vida dela, cada vitória, cada etapa...
Não espero que as pessoas entendam os meus sentimentos, valorizem a minha gestação, me dêem presentes, para mim o que importa é que eu seja respeitada como uma verdadeira mãe.
É fácil para qualquer pessoa simplesmente ignorar o que aconteceu e achar que uma segunda gravidez será igual a primeira e até mesmo pensar: será que agora vai dar tudo certo??
Para mim, a gestação da Ellen está sendo abençoada a cada dia e tenho certeza de que já deu certo, porque Deus é poderoso para fazer todas as coisas. Contudo, não me importo se o quarto estará decorado quando ela nascer, se o enxoval estará todo pronto para a sua chegada, não me importo em fazer chá de fraldas, chá de bebê ou qualquer outro evento...
Sabe por quê? Porque o que me importa é apenas dar a Ellen, amor, carinho, um lar com muita paz, com exemplo de respeito, de educação, e me preparar para ser sempre uma boa mãe, uma mãe presente, uma mãe que se preocupa com cada detalhe, que deixa de satisfazer uma vontade sua para fazer a filha feliz. Quero dar a Ellen tudo aquilo que não tive até hoje...
Todo o resto, para mim, é secundário.
Sou mãe desde o momento em que o teste de farmácia da gravidez da Amanda deu positivo. Aquele dia mudou a minha vida...
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